domingo, 17 de fevereiro de 2008

Luiz Carlos Barreto: Filmes compreendidos

Vídeo: Terra em transe


"‘Terra em Transe’ foi o filme mais difícil que eu produzi. Mesmo que a trama se passe em um país fictício, era notório que estávamos falando do Brasil. A ditadura militar ficou no meu pé e no do Glauber (Rocha, diretor) pedindo mudanças. Mas conseguimos lançar o filme como queríamos"

"Sei que ‘Vidas Secas’ tem uma das fotografias mais elogiadas da história do cinema, mas não tenho vergonha nenhuma de afirmar: não era fotógrafo de cinema e sim de revista. Por isso, na época, não me preocupei com a técnica. Meu interesse foi apenas conseguir captar imagens fortes"

"Até hoje o filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" é visto com carinho pelos brasileiros. Por isso comprei novamente os direitos sobre a obra de Jorge Amado e estou criando uma novela baseada na história para presentear a população brasileira. É um projeto emocional"

"O filme, que estréia no dia 29 deste mês (baseado na peça ‘Como Encher um Biquíni Selvagem’, de Miguel Falabella), é um tratado sobre como a tecnologia invadiu a vida do cidadão comum. Falabella, que faz sua estréia na direção de um filme, consegue satirizar os problemas urbanos por meio de uma vida fragmentada. É humor inteligente, ao qual todos podem ter acesso."

"Atualmente, estou fazendo um filme sobre a vida de Lula, baseado no livro ‘Lula – O Filho do Brasil’, de Denise Paraná (Fundação Perseu Abramo, 528 páginas, 2002). Vai ser ficção que pretende retratar a história de um homem do Nordeste miserável que venceu na vida na cidade grande. Não será a história de um presidente. O projeto vai ser dirigido pelo meu filho Fábio, e tem lançamento previsto para 2009."

"Das várias lendas sobre Glauber Rocha, a primeira que deve ser desmentida é seu amadorismo. Não existia improvisação em seus filmes. Glauber pensava e estudava seus roteiros com afinco e, inclusive, chegava aos sets com storyboards (planejamento, em desenhos, dos takes de uma filmagem) completas. Sua única excentricidade era gostar de trabalhar nu durante a madrugada (risos)."

"Quero que meus filmes sejam compreendidos"

Luiz Carlos Barreto
cineasta e produtor, 79 anos



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